“Deixemo-nos de marcos”, escrevi hoje em especifica conversação. Isso mesmo! É tempo de focos, tempo de assertividade, tempo de passos certos e não de marcos. “Marcar passo”, essa expressão tão conhecida nos nossos ciclos e círculos envolventes. Diz-se, e não vou sequer aprofunda a temática, que o Sol ilumina a Terra e esta girando sobreia os que calha. Sol para uns, sombra para outros. Há quem diga que, este Sol, quando nasce é para todos, contudo há sempre quem escolha a sombra ou, até, quem não consiga mesmo larga-la.
Nos dias que correm não é simples a abstração ao mundo que nos rodeia. Sons, diria que muito ruido se faz por aí, conversas sem sustento, ideias sem base racional, muito bracejar, muito gesticular e pouca ação concreta. Todos nos deparamos com isto, a toda a hora. Verdade seja dita que quanto mais a idade passa pelo comum ser, mais aprendemos a arte de abstração. Esse efeito ou ato de nos abstrairmos ou, filosoficamente falando, a capacidade de separação mental de vários elementos concretos de uma entidade complexa (situações fatuais, expressões, entre outras) , ou um só (porque não) para a desconsideração de outros elementos a ela inerentes. Abstração ou o resultado de uma especifica separação de termos, ideias ou até conceitos conduz por certo ao alheamento.
Poderemos então pensar que abstração pode, e se calhar deve, ter alguma relação com o “não ver”, “não querer ver”, “passar ao lado de “… tudo expressões sobejamente conhecidas…Sim…vemos, mas não queremos ver, sabemos e não queremos saber, ouvimos e não queremos ouvir… em suma abstraímo-nos do mundo em redor. Da envolvente. Em prol de que?
Arrisco a expressão: “Em prol de nada”. O “Nada” será mais castigador do que a presença do “nada”. A presença do que não está, do que não quer estar. A presença do que não se vê ou não quer ser visto…. Contudo esta invisibilidade, prova ou não, a insegurança do Ser. Não vê por que não quer ver? Ou talvez não veja pois não enxerga mais que nada. # Lentes podem ser a solução! O “nada” representado em algo ou alguém que se oculta… se esconde, se torna invisível por detrás de uma farsa, de uma capa, de uma caraça ou simplesmente se esconde dissimulado em Si, pois pode bem ser que seja “nada”.
Fazendo uma passagem mais terrena para um dos quaisquer nossos quadrantes, ciclos ou círculos envolventes, mencionar algo que por certo não nos terá passado despercebido. Todos nós já nos deparámos com situações em que para benefício próprio alguém menospreza o trabalho alheio. Fácil… se menos for o do outro, melhor parecerá o dessa pessoa, simples receita, certo? Pois bem esta é uma atitude muito comum, rebaixar, menosprezar o trabalho, a qualidade o empenho de uns para que com isso se valorize, mesmo que não visível, o seu ou seus cinquenta cêntimos.
Tristeza. Por este motivo, e mais uns quantos, como é obvio, a sociedade, o mundo empresarial e outros quadrantes não evoluem. Carecem de censo, de humildade de valores centrais, valores que se vão perdendo por conta de que “os meios justificam os fins”. Tudo isto sempre se passará perante a percepção de que o Ser não vê, não dá conta, não se apercebe. Engano maior… O Ser, pelo traço que detém, vê, ouve e sente até mesmo a mais imperceptível, minúscula, minorca movimentação que se faça à sua pessoa. Este vê o que não está, ouve o que não se diz e sente o que ainda não está transformado em realidade que seja. Assim, o ausente, distante, imaterial, incorpóreo comportamento ou atitude que tenham para este Ser, terá um efeito de perceção real, não misteriosa, inacessível ou distante.
Estar atento e vigilante, não é de hoje, vem de sempre, vem de longe, não obstante este é o moto dos tempos que correm.
Deplorante é o momento em que se consegue ver o que os Tais não querem que se veja, se ouvem orquestras a ensaiar em caves de pensamento, e se deslumbram paisagens transcritas como paredes foscas. Lamentamos, mas seguimos. Lastimamos, mas seguimos…. Condenaremos o comportamento, daremos o exemplo, seguimos até ao dia. O dia que marca. A grande marca ou o grande marco. Aquele que não se vê, mas que, um dia, se viu no horizonte.
Mas na verdade: “Deixemo-nos de marcos”.
Se vires o que os outros referem não existir então serás capaz de conta-lhes a história onde pensam ser heróis.
Como concordo comigo mesmo!












